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Capítulo Quatro
DE AMORES E OUTROS DEMÔNIOS

"Ao menos não temos de trabalhar na mesma sala", pensou Harry, suspirando enquanto sentava-se na sua sala. Tomando um gole de água que alguém havia deixado ali, ouviu a porta se mover e Gina adentrar.

         - Por favor, diga-me! – a mulher parecia profundamente irritada. – Vai! Diz! Fala logo!

         Harry apenas ergueu uma das sobrancelhas, olhando sem entender para a auror. A ruiva cruzou os braços e encarou-o com nervosismo. Antes que pudesse abrir a boca novamente, a porta foi mais uma vez aberta, e outra cabeça vermelha invadiu seu escritório.

         - Harry! Você sumiu, cara!

         O chefe do departamento sorriu com os lábios cerrados, a cabeça ainda no encontro com Hermione, para seu melhor amigo. Ronald Weasley continuava exatamente o mesmo, menos pela maior quantidade de sardas e altura. Vestido naquela camisa azulada e calça escura, nadinha parecia com o atacado goleiro do Chuddley Cannons. Uma de suas maiores características era exatamente como costumava agir dentro do campo. Parecendo uma gazela descontrolada era pouco para defini-lo.

         Desviando seus pensamentos de Hermione para uma furiosa Gina e um alegre Rony, Harry ergueu-se de sua cadeira e deu um abraço no homem. Gina cruzou os braços, extremamente irritada, e perseguiu com o olhar fuzilador seu chefe.

         - Por acaso eu tenho cara de secretária sua, Harry? – o auror riu levemente. – As pessoas andam aqui com essa idéia particularmente incorreta. – reclamou ela, torcendo o nariz, para o irmão que se divertia com sua expressão.

         - Não se preocupe Gina, ele te muda para ser secretária do Malfoy, que acha? – zombou Rony, piscando para a mulher.

         A auror olhou feio para o irmão mais velho, querendo mandá-lo para bem longe dali. Harry riu de ambos e disse que se certificaria de que ninguém mais achasse que ela fosse sua secretária.

         Enquanto isso, Rony sentava-se numa das cadeiras de sua sala e estendia as pernas, espreguiçando-se. Harry ofereceu água a ele e o homem perguntou se não tinha whisky. Harry disse que tinha, mas que não o deixaria tomar, especialmente porque no dia seguinte ele e o Cannons teriam um grande jogo pelo Campeonato Inglês de Quadribol.

         Rapidamente, embalaram numa divertida conversa sobre o último jogo do Cannons com o Harpies, e Rony contava emocionado como conseguira defender uma goles quase impossível, e ganhara um especial presente da diretoria do time. Harry velozmente esqueceu de Hermione e seus problemas, embarcando naquele papo que não tinha há muito tempo com o amigo. Entretanto, percebia que Rony procurava, o máximo que podia, driblá-lo sobre qualquer tema que envolvesse Lilá. Aquilo estava começando a deixá-lo desconfiado.

         - Então, o que você tinha para me falar? – perguntou Harry, sobre a carta da quinta-feira.

         Nesse momento, Rony moveu-se desconfortável na cadeira. As orelhas iam ficando extremamente vermelhas. Harry fechou os olhos por um momento, tentando prever qual era o problema desta vez. Não gostava quando Rony tomava uma atitude como aquela.

         - A princípio, eu achava que a idéia era boa, mas não estou tão certo mais disso...

         Harry continuou quieto, apenas ouvindo-o.

         - Eu estava pensando em chamar a Lilá para morar comigo. – disse de uma vez só.

         Um sorriso maroto abriu-se na face de Harry. Por que ele parecia tão nervoso e incomodado? Aquilo parecia uma ótima notícia. Rony estava finalmente entrando num relacionamento sério, pela segunda vez.

         - Isso é ótimo! – comemorou o moreno. – Você já falou com ela?

         Rony contorceu-se na cadeira e fez uma careta com os lábios, esticando-os. Harry suspirou e recostou no assento.

         - É aí que está o problema – disse Rony, ainda com a careta. – No sábado à noite, eu e Lilá saímos para jantar. Eu pretendia falar com ela lá... – Harry cruzou os braços e permaneceu escutando. – Se eu te disser quem encontramos, você ficará tão surpreso quanto eu.

         - Quem vocês encontraram? – indagou Harry, ficando entediado.

         Rony aproximou-se da mesa de Harry e cochichou, fazendo antes ainda questão de olhar para os lados e para a porta, procurando encontrar um espião ou alguém fuxiqueiro ouvindo sua conversa.

         - Luna Lovegood.

         O auror ergueu as sobrancelhas, surpreso. Recordou-se que Rony, pouco antes de assumir namoro com Lilá, havia tido um caso bobinho – nas palavras do próprio – com a repórter do Pasquim.

         - Mas ela não estava na China? Ou na Coréia? Ou no Tibet?

         - Na verdade, ela tinha ido para o Japão com o pai numa entrevista sobre os bruxos do campo e que não tiveram chance de ingressar numa escola como Hogwarts lá da Ásia. – corrigiu Rony.

         Cerrando os olhos, densamente desconfiado, Harry lançou o olhar curioso sobre seu amigo.

         - E como você ficou sabendo de tudo isto, Rony? Te conheço muito bem para saber que não é fã do Profeta Diário ou do Pasquim, que não seja o caderno esportivo.

         Rony ergueu-se de sua cadeira e andou até ficar ao lado de Harry. O homem tomou o copo de água entre as mãos e esperou que ele falasse alguma coisa. Desta vez, o quê parecia vergonha anteriormente, foi transformado num profundo sentimento de agonia. "Agora sim eu sei que tem algo de muito errado", pensou Harry, seguro.

         - Eu tive uma briga feia, muito feia com a Lilá. – afirmou enfim.

         - E...

         - E que eu fiquei perdido naquela noite, acabei indo dormir na Toca, sem meus pais saberem. Achei que ela iria para o meu apartamento, querendo me azarar ou coisa parecida.

         Harry levou o copo aos lábios, imaginando o que Rony poderia ter feito para enfurecer tanto Lilá.

         - Certo, e o quê mais?

         Neste momento, enquanto Harry bebia o gelado líquido, Rony abaixou-se até sua altura e sussurrou novamente, seus olhos nunca encontrando os de Harry.

         - E que eu encontrei a Luna no domingo – Harry continuava tomando a água, não ligando para a apreensão de Rony. – E nós ficamos juntos.

         - Como assim? Ela te apoiou? Isso é bem estranho vindo da Luna... – murmurou Harry, levando mais um gole a sua garganta, mas Rony o interrompeu, o nervosismo transbordando de seu corpo.

         - Nós transamos, Harry.

         Imediatamente, Harry cuspiu todo o líquido que havia engolido até ali, e encheu todo o rosto de Rony. O amigo ergueu-se e começou a limpar o rosto com a manga da camisa azulada. O auror iniciou uma crise de tosse, engasgado com a água e algo a mais. Rony tinha traído Lilá! Rony estava com Lilá há mais um ano! Rony tinha reencontrado Luna Lovegood! Rony tinha transado com Luna Lovegood! "Oh Meu Deus", foi tudo que saiu de sua mente que fosse coerente o bastante.

         Rony estava com o olhar perdido, ainda tentando tirar toda aquela água e saliva do moreno de seu rosto. Já esperava uma reação como aquela de seu amigo. Ele lembrava muito bem da última vez que isso acontecera, há quase dois anos. Foi quando Rony traiu Hermione com Lilá. O relacionamento deles já não andava bem há mais de seis meses, especialmente por causa das noites em claro para o maldito Profeta, e nas últimas semanas Hermione estava mais estranha que nunca. Ele, então, reencontrou Lilá. A mulher tornara-se a R.P. – relações públicas – dos Cannons e, inevitavelmente, ficaram mais próximos. Somente que não estava em seus cálculos realmente ficar com aquela paixonite aguda de adolescente por ela. Depois de um tempo, soubera o que era apenas desejo foi se transformando em paixão.

         O problema exato fora que Harry descobrira tudo. E o resultado não fora nada legal. Aquela recordação era uma das mais difíceis de Rony suportar, como a noite de sua separação de Hermione. Pela primeira vez, Harry realmente enfiara um soco no rosto de seu melhor amigo. Bem, na realidade, fora mais de um. Rony ainda não sabia como, mas Harry descobrira logo em seguida. Cerca de uma semana depois que Rony realmente começara a intensificar seus flertes para beijos calorosos e longas noites com Lilá.

         - Que merda Rony! – respondeu Harry, agora finalmente colocando Rony em foco, assim reciprocamente. – Da primeira vez eu já tinha te dito para não fazer mais! Você sabe que isso só dá em besteira e você continua fazendo! Da outra vez havia sido a sua melhor amiga, sua noiva! Agora a Lilá também!

         Rony abaixou a cabeça e voltou a ficar vermelho.

         - Eu sei disso, Harry, acredite! Eu sinto na pele que o quê fiz foi uma tremenda sacanagem com a Lilá...

         - Não só com a Lilá – protestou Harry. – Você sabe que a Luna sempre teve uma bela de uma queda por você. Cadê sua integridade?

          O ruivo não respondeu, apenas sentou-se novamente e colocou a cabeça entre as pernas. Antes que Harry pudesse dizer algo, alguém bateu na porta e foi entrando logo em seguida.

         - Hey Potter, o Chefe quer você lá na sala para decidir o negócio da Granger... – e Malfoy notou a presença de Rony ali. – Oh, não sabia que o ex-pobretão estava aqui. – e lançou um olhar desgostoso para Rony.

         Porém, o ruivo não notou, já que seu olhar estava em Harry.

         - Hermione? O que aconteceu com a Hermione? – indagou, percebendo o rosto sem muita emoção do amigo.

         - Ela está aqui no Ministério agora. – respondeu Harry, passando os dedos pela cicatriz.

         Rony ergueu-se da cadeira e encarou Malfoy.

         - E por que ela está aqui? Hermione sempre procurou ficar bem longe daqui.

         - Acredite Weasley, nós sabemos bem disso – retrucou Draco, olhando para Harry novamente. – Então, que está esperando?

         Harry não deu chance para que Rony prosseguisse com o seu interrogatório. Sempre soube que, mesmo depois do rompimento, o goleiro continuava preocupando-se constantemente com Hermione. Também sabia que eles não se encontravam há quase nove meses, e previu que seu amigo gostaria muito de vê-la.

         Pedindo licença para Rony, Harry deixou o escritório junto de Malfoy sem responder nenhuma das perguntas seguintes dele. A real pergunta aqui não era se Rony gostaria de encontrá-la, e sim se Hermione iria encará-lo após oito meses normalmente. Era estranho como ela sempre parecia bastante nervosa com Rony.

- Eu sei bem como as coisas funcionam, Nicholls, eu praticamente reformulei o código de ética do Profeta, recorda?

         A cabeça do homem moveu-se descontente em meio ao fogo. Hermione erguia as sobrancelhas para o rosto de seu chefe do Profeta Diário, impaciente.

         - Então eu espero que não aconteça qualquer confusão metendo a senhorita, correto? – disse ele novamente, fazendo-a soltar o ar, irritada. – Ok, eu confio no seu julgamento, Granger. Agora você pode ficar a vontade com o Williams, ele está começando a me aborrecer.

         Hermione escondeu o sorriso assim que o rosto belo de Justin apareceu na lareira. Seus olhos azuis bateram contra Hermione e ela riu suavemente. Mesmo que só tinha três dias que não se viam, ela já sentia saudades de suas piadas e seus casos intermináveis e irresponsáveis.

         - Como vai a melhor gatinha do Ministério da Magia? – perguntou, piscando.

         - A gatinha está muito bem, obrigada – respondeu, rindo. – E você aí, acha que dá conta do meu trabalho, amorzinho? – ironizou.

         A imagem levou uma das mãos na testa e limpou o suor.

         - Olha, eu realmente estou sentindo a sua falta! Suando aqui que nem um porco esperando para o banquete – disse ele, quase mal humorado. – Hermione, você trabalha demais, pelo amor de Deus! Eu fiquei ontem lendo os relatórios seus do caso Chipre, e simplesmente não entendi nada!

         - Na verdade, o Nicholls não permitiu que eu deixasse o Caso de lado. Agora sou obrigada a investigá-lo daqui de dentro, não é maravilhoso? – satirizou, um pouco cansada.

         - Bom, se eu te falar que o Nicholls anda com um bom humor inacreditável, você acreditaria? – instigou Justin, sorrindo aquele sorriso irresistível.

         Hermione cruzou as pernas e Williams assobiou.

         - Não parecia nem um pouco bem humorado quando falou comigo. – resmungou a jornalista, ignorando Justin.

         - Eu pelo menos imagino o que seja – respondeu o homem, sorrindo maliciosamente. – Hoje eu fui obrigado a tirar cópias de todos os seus relatórios do Chipre e resolvi dar uma passadinha no café. Adivinha quem eu encontrarei lá, conversando animadamente com o cara do café?

         A morena rolou os olhos, já imaginando a resposta.

         - Realmente desconfio que o final de semana do Nicholls foi bastante produtivo, se é que você me entende? – e piscou novamente para a amiga.

         - Sabe Justin, o que ele faz ou deixa de fazer com o cara do café ou de qualquer outro lugar é problema dele.

         Assim que Williams ia soltar provavelmente outro comentário alusivo à opção sexual do chefe do Profeta, Gina irrompeu na sala.

         - Mione, que acha de almoçarmos juntas hoje?

         Seu rosto paralisou ao notar a face charmosa de Justin nas chamas da lareira de Hermione. O jornalista sorriu abertamente para Gina e disse:

         - Olá! Como vai a melhor gatinha do Ministério?

         Enquanto Gina corava e respondia desajeitada, pega totalmente de surpresa por Justin, Hermione lançava um olhar extremamente reprovador para o amigo.

         A auror respondeu qualquer coisa para Justin, Hermione não deu muita atenção, e depois respondeu que aceitaria almoçar com a melhor amiga. Gina respondeu que apareceria dali dez minutos. Williams ainda soltou algo como querer almoçar com elas também. Gina riu e depois deu as costas, saindo da sala, deixando Hermione e Justin sozinhos novamente.

         - Não acredito que não tenha uma melhor cantada que essa, Justin! – protestou Hermione. – A mesma é demais, não acha?

         - Prefiro não discutir com você minhas abordagens sobre as mulheres, especialmente depois que você me deu um belo pé na bunda. – e Justin fechou a cara, divertido.

         - O que posso fazer se loiros não são meus preferidos? – e ela riu, recordando a face enjoada de Draco Malfoy. Loiros definitivamente não faziam seu tipo.

         - De qualquer forma, Srta. Granger, eu realmente não tenho mais tempo para conversar com você. Quando tiver mais idéias sobre o caso, me avise.

         Hermione sorriu e concordou, vendo a imagem de Justin sumir na fogueira.

         Suspirando, contente por ter aquela rápida conversa com Williams, Hermione tornou-se para sua mesa e iniciou uma procura por todos os seus acessórios. Não tinha idéia de quando começaria sua atividade como jornalista especial dentro do Ministério, então não pretendia ser pega de surpresa.

         Um soco abafado em sua porta provocou um ligeiro choque nela. Hermione pigarreou e permitiu a entrada, gritando. Voltando o olhar para o papel, não notou quem era. Concentrada em arranjar todos os seus acessórios, apenas notou que alguém, de fato, havia entrado, quando seus olhos alcançaram as pernas de alguém, parado à frente de sua mesa.

         Erguendo os olhos lentamente, Hermione surpreendeu-se com a visão de Rony. Mordendo o lábio inferior e tentando não demonstrar a surpresa ao vê-lo ali, Hermione procurou sorrir e cumprimentar Rony.

         - Olá – disse, a voz relativamente baixa. – O que você está fazendo aqui, Rony?

         - Nossa, que recepção calorosa, estou impressionado. – brincou o ruivo, sorrindo e andando até a cadeira de Hermione. A mulher ergueu-se e o abraçou levemente, ainda bastante desconfortável com aquela atitude do homem. – Quanto tempo! Mais de oito meses, Mione!

         Hermione manejou de escapar dos braços de Rony e dar uma boa olhada no ex-namorado e ex-noivo.

         - É verdade, não é mesmo? Você está ótimo!

         Rony riu. Seus olhos caíram sobre Hermione. Talvez realmente precisasse de um corretivo urgentemente, porque seus olhos já procuravam uma abertura na roupa da mulher, para recordar daqueles momentos marcantes e inesquecíveis com Hermione. Ela fora quem o ensinara a amar uma mulher como deveria. Ela fora quem o viciou naquela droga chamada mulher. Se não fosse por aquela simples moreninha, muito da sua vida não teria sentido agora. Provavelmente, nada faria sentido.

         - Que posso dizer? Os treinos no Cannons e na seleção são infinitos. – respondeu, tentando tirar aqueles pensamentos de sua mente.

         - Eu tenho um pouco de culpa de não ter ido visitá-lo lá – confessou Hermione, ainda bastante desconcertada. Gostava tanto quando não estava perto de Rony. – Desde que saí da sessão de esportes mágicos, não tive mais tempo para ir a um jogo de quadribol.

         - Não que quadribol fosse a sua praia, desde o princípio, não é? – zombou Rony, gostando de ver que ela se preocupava.

         Um rápido silêncio se formou entre eles. Oito meses passaram tão deliciosamente para Hermione sem voltar ao contato com Rony. Por que agora ele parecia tão amistoso? Geralmente, pelo que o conhecia, deveria ter feito algo de muito errado para estar agindo daquela maneira.

         Foi Rony que acabou com o certo constrangimento.

         - Mas o que voc está fazendo aqui no Ministério? Pensei que não cobrisse mais política nacional...

         Hermione riu da postura perdida de Rony. Ele nunca fora muito ligado à leitura do Profeta ou de qualquer outro veículo de comunicação, que não fosse falando de uma performance sua. Não que ele fosse egocêntrico, coisa que não era. Mas, leitura não era seu forte. Mesmo em Hogwarts, somente sabia das informações, na maioria das vezes, por ela e Harry, que costumavam ler bastante o Profeta.

         - Na verdade, o meu Chefe e o Lupin fizeram um acordo – explicou, ainda desconfortável com aquela situação. – Para livrar o Departamento de Aurores e Espiões de algumas suspeitas, eles me contrataram para fazer uma matéria especial, acompanhando um mês das operações secretas daqui.

         Rony ainda pensou em continuar aquele assunto, perguntando como aquilo era possível, já que sabia que Harry e Hermione estavam brigados há mais de um ano – mesmo que ainda não tivesse a mínima idéia do porquê. Se tocasse neste tema, seria bem possível que Hermione voltasse a ficar na defensiva, como sempre. Então, o silêncio entre eles voltou, agora com maior força, já que os segundos passavam como uma eternidade para ambos.

         Desta vez, foi Hermione que surgiu com a pergunta.

         - E como está a Lilá? Ainda é a R.P. do Cannons?

         "Tudo menos Lil", pensou Rony, fechando os olhos levemente. Toda aquela história de Lilá e Luna estava deixando-o maluco. Ainda não havia conversado com Lilá desde o sábado. Agora, provavelmente, teria de enfrentar a ansiedade de Luna para encontrá-lo novamente. Por mais incrível que tenha sido, Rony tinha que parar com a poligamia. Isso não era correto. Se a sua mãe ficasse sabendo que já havia traído Hermione, e agora Lilá também, seu coro certamente nunca seria encontrado.

         - Lilá está ótima – respondeu, tentando esconder o rubor em suas orelhas e bochechas. – Na verdade, daqui a pouco vou encontrá-la. Preciso treinar com a seleção. Amanhã, grande jogo.

         Hermione sorriu com os lábios cerrados, diminuindo os olhos. Rony era realmente um ótimo goleiro, o melhor da Inglaterra. Quem imaginaria que aquele goleiro que ganhara até coro da torcida adversária em Hogwarts, tornaria-se quem é hoje? O goleiro titular da seleção inglesa, além de famoso e maravilhoso, era charmoso e comprometido. Um desafio para as fãs.

         Mais uma vez, antes que o silêncio pudesse voltar, Gina adentrou. Com uma bolsa nos braços, ela sorriu ao ver seu irmão e Hermione conversando, ou parecendo conversar.

         - Está na hora. Vamos?

         Hermione concordou e iniciou uma procura por sua bolsa, no meio daquela multidão de papéis. Rony sorriu ao recordar como, mesmo depois de tantos meses, ela continuava exatamente a mesma. Era como se o tempo tivesse parado para ela. Pena que não havia parado para ele também, ao seu lado.

Após a refeição com Gina, Hermione voltou ao seu escritório, que ficava ao lado do de Malfoy. O resto do dia passou até que calmo, superando suas expectativas de primeiro dia. Quando voltou do café, por volta das sete da noite, perto de seu horário de saída, notou que havia um papel pedindo sua presença na sala do chefe. Franzindo a testa, estranhando, saiu de sua sala para a de Lupin.

         O chefe do departamento estava numa nova conversa nervosa. Hermione esperou até que ele pudesse atendê-la. Assim que ele conseguiu se livrar da tal discussão, pediu que Hermione entrasse.

         - Hermione, diga-me, você é capaz de ler isso tudo para amanhã? – indagou o chefe, mostrando uma pilha de seis pastas.

         A jornalista pensou em relutar, já que aquele dia estava estressante demais, mesmo que fosse pelo sentido emocional. Porém, estava lá para dar o melhor de si. Se aquela reportagem desse certo, seria a matéria de sua vida e poderia, provavelmente, preocupar-se futuramente apenas com aquele monte de pergaminho em sua casa.

         - Claro, eu dou conta sim, Lupin! – concordou, suas mãos já alcançando as pastas.

         Lupin agradeceu e esticou-se.

         - Antes que você me pergunte sobre o que isso é, quero que você vá até o Harry e diga que amanhã o acompanhara no interrogatório do Hale.

         Hermione engoliu em seco. Ela realmente iria presenciar o interrogatório do último prisioneiro do Departamento? Um homem tão procurado quanto Charles Hale?

         Deixando a sala de Lupin e suas pastas no seu escritório, andou até a sala de Harry. Antes de bater na porta, suspirou profundamente. "Ok, você tem que começar a se acostumar com isso, Hermione! Cada vez que vê-lo, ficará suspirando e morrendo por dentro?! Um mês completo de dor de cabeça por estar convivendo novamente com ele?!", repreendeu-se.

         - Licença... – pediu, e entrou lentamente no escritório. Não houve resposta.

         Pensando que não havia ninguém ali, Hermione adentrou e ficou parada no meio da sala, esperando que Harry voltasse da onde ele estava. Suspirou novamente e procurou amenizar aquela batedeira. "Essa não é melhor hora para demonstrar emoção", pensou.

         No segundo seguinte, Harry abriu a porta e entrou como num furacão. Ao encontrar Hermione, paralisou e ficou aparentemente sem fala. Ambos ficaram se olhando por alguns segundos, sem saber exatamente o quê dizer.

         - É... Eu... – gaguejou Hermione, agitando a cabeça levemente em seguida. – O Lupin pediu que eu viesse te avisar que vou acompanhá-lo amanhã no interrogatório do Hale.

         Passado o primeiro choque, Harry voltou a se movimentar, mexendo em alguns papéis sobre sua mesa.

         - Eu ao menos espero que você leia as pastas que ele te passar – respondeu friamente, ainda movendo os papéis e não olhando para a mulher. – Não aceitarei que você me interfira amanhã, entendeu? Sem palpites, sem perguntas impertinentes tão características de sua gente.

         Hermione já estava dando meia volta quando ouviu a última sentença de Harry. O sangue subiu em sua cabeça, e rapidamente sentiu-o fervendo em suas veias.

         - E o que você quis dizer com isso? – perguntou, sua voz saindo amarga.

         Harry ergueu finalmente a visão para Hermione e respondeu:

         - Você sabe muito bem o que eu quis dizer, não me venha com essa ladainha. – retrucou seco como antes.

         Hermione abriu a boca para argumentar, mas recordou do trato que haviam feito. Seria um mês repleto de relações estritamente profissionais. Ela não poderia deixar que aquilo a atingisse.

         Sem esboçar qualquer resposta ao auror, Hermione deu as costas e deixou a sala. Harry, por sua vez, apoiou-se nos braços, sobre a mesa, e soltou o ar pesado que carregava toda vez que a encontrara naquele dia. Como poderia sobreviver a um mês ao lado dela? Não havia mais nenhuma ligação entre ambos, por que então ficar tão abatido com aquilo?

         E aquele era ainda o primeiro dia. Fechando os olhos, recordou como Hermione e ele eram ótimos juntos. Uma amizade como aquela acabara tão abruptamente. E os motivos eram tão óbvios, ao menos para ele. Na realidade, óbvios até demais.

         Voltando a se concentrar, juntou todos os papéis e jogou-os dentro de sua maleta. Não era momento de pensar em Hermione, e sim no interrogatório do dia seguinte. Charles Hale poderia resolver inúmeros de seus problemas. Pena que o quê mais o preocupava e tirava seu sono, nem mesmo ele próprio parecia capaz de resolver ou esquecer. Maldito demônio que o perseguia. "Maldita seja aquela noite!", pensou uma última vez, antes de pegar a maleta e sair de sua sala, batendo a porta com força.

Nota da Autora (1): Eu aqui dando uma de Lígia... Esse capítulo, como eu tinha prometido, dedico à Lígia Maria Araki, que me surpreendeu ontem com um comentário sobre a fic maravilhoso! Minina, esse capítulo é para você viu! E espero que você continue se emocionando e entrando em parafusos com ela! J Também vou dedicar à Bellinha ou Isa Potter, como é conhecida, que está fazendo aniversário!!! Parabéns Princesa!!! Te adoro!!!! J Quero bolo depois hein! E só uma referência, este título eu retirei do livro do Gabriel Garcia Márquez... Espero que gostem e deixem reviews!

Nota da Autora (2): Desta vez eu criei vergonha na cara e estou aqui, pedindo encarecidamente, para alguém me dizer se pode betar a fic! Eu realmente não li uma segunda vez, como das outras vezes, e acho muito injusto com vocês não passá-la por um revisor. Então, quem puder, avise-me! Eu agradeço!

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