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Trovadorismo

O Trovadorismo se desenvolveu durante a Idade MédiaA primeira época Literatura Portuguesa tem origem obscura, mas supõe-se que instalou-se na península ibérica por origem provençal. Sua primeira obra é A Ribeirinha, cantiga de Escárnio de Amor de Paio Soares Taveirós. A língua usada ainda não é português, mas galego-português, um romanço (língua de origem latina) falada na costa da península ibérica. Divide-se o Trovadorismo em quatro partes: Cantigas de Amor, de Amigo, de Escárnio e de Maldizer. As poesias eram chamadas cantigas, canções ou cantares por serem associadas à música, e apresentadas cantadas. Infelizmente, as partituras das músicas se perderam quase todas, sobrando nos dias de hoje apenas cinco, escritas por Martim Codax. Sobrevivem até hoje em coletâneas renascentistas (Cancioneiros). As Cantigas que seguem tem seu número referentes a sua publicação no Cancioneiro da Vaticana.


Cantigas de Amor

Cantigas de Amor contém uma confissão amorosa feita pelo trovador a uma dama inacessível a quem trata por senhor (significando "senhora" em termos modernos). A dama é inacessível ou por estar em classe social mais elevada ou porque o trovador despreza sua posse em favor do amor que sente. O exemplo a seguir é a canção número 97 e foi escrita por El-rei D. Dinis.

Hun tal home sei eu, bem talhada
Que por vós tem a sa morte chegada;
Vides quen é e seed'en nanbrada;
Eu, mia dona.

Hun tal home sei eu que preto sente
De si morte chegada certamente;
Vêdes quem é e venha-vos en mente;
Eu, mia dona.

Hun tal home sei eu, aquest'oide:
Que por vós morr' e vo-lo en partide,
Vêdes quem é e non xe vos obride;
Eu, mia dona.


Cantigas de Amigo

Cantigas de Amor contém a profissão de amor de uma mulher do povo, cujo amigo ("amigo" significa "amante, "namorado") está em serviço militar ou é um trovador que a abandonou. Cantigas de Amigo transpiram realismo, enquanto as de Amor são extremamente idealizadas. O exemplo que segue é a Cantiga número 462 e foi escrita por Aires Nunes.

Bailemos nós já tôdas três, ai amiga,
So aquestas avelaneiras froildas
E quen fôn velidas, como nós, velidas,
Se amig'amar
So aquestas avelaneiras frolidas
Verrá bailar.

Baliemos nós já todas três, ai irmanas,
So aqueste ramo desta avelanas,
E quen bem parecer, como nós parecemos
Se amig'amar
So aqueste ramos destas avelanas
Verrá bailar.

Por Deus, ai amigas, mentr'al non fazemos
So aqueste ramo frolido bailemos
E quen bem parecer, como nós parecemos,
So aqueste ramo so lo que bailemos
Se amig'amar
Verrá bailar.


Cantigas de Escárnio e Maldizer

As Cantigas de Escárnio e Maldizer, apesar de muita parecidas, tem suas diferenças. A de Escárnio contém uma sátira indireta, sarcástica, zombeteira e de linguagem ambígua. A de Maldizer é direta, agressiva e de linguagem objetiva. Mas nem sempre uma pode ser separada da outra. A Cantiga que segue, de Escárnio, é a número 998 e foi escrita por Pêro Garcia Burgalês.

Rui Queimado morreu com amor
en sus cantares, par Santa Marta,
por ua dona que gran bem queria,
e, por se meter por mais trovador,
porque lh'ela non quis [o] bem fazer
fêz-s'el en sus cantares morrer,
mas ressurgir depois ao tercer dia!

Esto féz el por ua as senhor
Que quer gran bem e mais vos en diria:
Porque cuida que faz i maestria,
Enos cantares que fêz a sabor
De morrer i se des d'ar viver;
Esto faz el que x'o pode fazer
Mais outr'omen per ren non [n] o faria.

E non há já de as morte pavor,
Senon as morte mais la temeria,
Mas sabede bem, para as sabedoria,
Que viverá, dês quando morto fôr,
E faz-[s']en ser cantar morte prender;
Desi ar viver i vêde que poder
Que lhi Deus deu, mas que non cuidara.

E, se mi Deus a mim desse poder,
Qual oi' el há, pois morrer, de viver,
Jamais morte nunca temeria.

A Cantiga seguinte, de Maldizer, é a número1057 e foi escrita por Joan Garcia de Guilhade.

Ai dona fea! Fostes-vos queixar
Porque vos nunca louv' en meu trobar
Mais ora quero fazer un cantar
En que vos loarei tôda via;
E vêdes como vos quero loar:
Dona fea, velha e sandia!

Ai, dona fea! Se Deus me perdon!
E pois haverdes tan gran coraçon
Que vos eu loe en esta razon,
Vos quero já loar tôda via;
E vêdes qual será a loaçon:
Dona fea, velha e sandia!

Dona fea, nunca vos eu loei
En meu trobar, pero muito trobei;
Mais ora já un bem cantar farei
En que vôs loarei tôda via;
E direi-vos como vos loarei:
Dona fea, velha e sandia!


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